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sexta-feira, 25 de abril de 2014

"Se eu largar o freio", Péricles

Vou falar de uma música lançada recentemente que me chamou muito a atenção, trata-se de Se eu Largar o Freio, composta por Carlos Caetano, Claudemir e Marquinho Índio, gravada pelo cantor Péricles (ex-Exaltasamba).


Conforme comentei no livro Como Escrever Letras de Música, é necessário equilíbrio entre música e letra, o que literalmente ocorre nesta canção que resolvi expor rapidamente hoje. Porém, o mais curioso é que a letra é de tão boa qualidade que o cantor (e/ou produtor) resolvem fazê-la, inicialmente na gravação, somente a cappella, isto é, somente voz, sem nenhuma outra espécie de acompanhamento. Inclusive, a música é assim também apresentada ao vivo, vide gravação nos Arcos da Lapa (CD e DVD), e perceba como o público se diverte!...

Ora, a letra é tão agradável, inteligente e bem construída que, ao se retirar o acompanhamento junto ao início da gravação, ao não existir mais nada para se prestar atenção além da letra, o ouvinte acaba se fixando naquilo QUE ESTÁ SENDO CONTADO.

Pergunto: "Em quantas composições existe a condição de assim se apresentar uma música?". Muito poucas, afirmo, porque as letras, no geral, chamam pouca atenção, cantadas a cappella torna-se impossível disfarçar a baixa qualidade. Conforme tenho comentado, as músicas, as gravações, superam em muito a qualidade das letras, que estão dia a dia mais sofríveis, o que não é o caso desta aqui que apresento hoje.

Repare na letra quanto ao explicado no livro a respeito de se contar uma história (mostrar), a questão da "materialidade", do uso dos substantivos etc.

Portanto, aí vai a dica de hoje, analise a letra dentro daquilo que já lhe foi ensinado e consolide um pouco mais de conhecimento.

Para checar a música do Péricles:

Para quem não conhece o livro:

Abraço a todos e bom trabalho com as composições.

Compro um violão ou uma guitarra?

Faz tempo que estou devendo algumas postagens, principalmente quanto a letras de música. Porém, vou começar com outras dicas de fundamental importância para o músico/compositor iniciante, que pretende comprar um instrumento para iniciar-se na música com instrumentos de corda. Então, grosso modo, a pergunta mais comum nessa escolha é: ”Compro um violão ou uma guitarra?”. E sobre isso quero falar hoje. Aviso que o violão que levarei em consideração aqui será o de náilon (nylon), pois pretendo fazer outra postagem indicando a diferença entre o violão com cordas de náilon e o violão de cordas de aço.

Quando no meu início com a música, eu pensava assim: “Tanto faz, porque os dois são iguais; a diferença é que um é acústico e o outro elétrico”. Porém, não é somente isso, vai muito além.

Tudo o que escrever a partir daqui são regras gerais, ou seja, sempre haverá um ou outro estudioso que poderá questionar e encontrar uma ou outra exceção. Porém, repito, escreverei em REGRAS GERAIS e para aquele que é INICIANTE, logo, esta postagem não é para especialistas.

O violão é para quem deseja aprender e tocar em casa, numa pequena reunião de amigos, isto é, em pequenos ambientes onde não seja necessário maior volume. No geral, a pessoa se acompanha e canta, assim como também cantam os amigos. É um instrumento de integração, pois sempre irão lhe pedir “toca essa, toca aquela... toca Raul...”, e por aí vai.


Também, é utilizado para estudos e execução de música instrumental e/ou clássica, a qual, por não acreditar ser seu caso, não me estenderei no assunto.   

A guitarra surgiu do violão por uma necessidade de se obter maior volume, principalmente pelos músicos que tocavam em orquestras e big bands (grandes bailes, festas etc.). Logo, é um instrumento que foi sendo desenvolvido, inclusive suas técnicas de execução, para se TOCAR EM GRUPO.


Então, Marcio, quer dizer que as técnicas de execução de um e de outro instrumento são diferentes, é isso? Exatamente isso. Eu, por exemplo, toquei guitarra muito tempo como se fosse violão, o que você também pode fazer, mas não soa bem em uma banda. Quando se toca em grupo, existe uma bateria (ritmo), um baixo (ritmo e harmonia), um teclado (harmonia, ritmo, melodia) e uma ou até duas guitarras (e irão soar iguais?), além de outros possíveis instrumentos.  Logo, o guitarrista precisa se integrar a esse todo buscando “seu espaço” sonoro.

Olhando por outro lado, para ver se facilita a compreensão, quando se toca violão sozinho, você costuma fazer acompanhamento para alguém cantar de modo a fazer soar algo mais “global”: ritmo, baixo, harmonia, melodia etc., tudo junto. Na guitarra, você apenas executa pequena parte disso, pois necessita se integrar ao grupo (seu som se integrar à banda). Também, no geral, o violão se toca diretamente com os dedos; a guitarra, com palheta (para se obter maior volume).


Sei que existe, por exemplo, os grupos chamados “regionais”, composto de instrumentos acústicos (inclusive violão) que acompanham cantores e/ou fazem música instrumental, mas isso já é outra história, é um som mais intimista, uma execução acústica.


Então, daí vem a principal pergunta? O que você quer fazer? Cantar, fazer música e se acompanhar? Violão. Quer montar uma banda, fazer um monte de solos com distorção? Guitarra.

Ah, quero fazer os dois… Então, compra primeiro o violão e depois a guitarra. Aprendendo violão, óbvio, a seguir, fica fácil aprender a tocar guitarra. Ao se comprar o violão, basicamente, por si só, ele se basta (menor custo). Quanto à guitarra, precisa cabo, correia e amplificador (maior custo).  Com o violão, você viaja, se desloca a qualquer lugar mais facilmente; com a guitarra, nem tanto.

Ah, mas não posso comprar um violão elétrico? Pode e até deve, mas se tocar em alto volume (numa banda, por exemplo) ele realimenta o sistema de som, dá feedback, isto é, microfonia (aquele agudo insuportável).  E se pegar um professor de violão, ele vai te ensinar a tocar “violão”; se pegar um professor de guitarra, ele vai te ensinar a tocar “guitarra”. A teoria musical é a mesma para todo e qualquer instrumento (bateria, piano, baixo, cavaquinho, banjo, violão, guitarra, saxofone, flauta etc.), mas as técnicas de execução (ainda que similares) são específicas para cada instrumento.


No geral, é isso. Espero ter ajudado, e aguarde postagens complementares sobre o tema.